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Cultura [Orquestra Sinfônica nas Comunidades] Quando se pensa em música de adolescentes, geralmente lembra-se de um som pesado em tom de protesto ou rebeldia. Pense agora em música clássica. Aposto que o piano já começou a soar em sua mente. Você enxerga um teatro lotado. Será um belo espetáculo. No palco, uma grande orquestra começa a tocar uma suave melodia. Agora, imagine que os músicos dessa orquestra são crianças e jovens de baixa renda. Conseguiu imaginar? O projeto Orquestra Sinfônica nas Comunidades não apenas imagina como também pratica essa idéia. Há dois anos, o maestro André Calibrina leva o som de violinos, flautas, violoncelos e outros instrumentos para cima dos morros de Florianópolis. Ao todo, participam 15 comunidades, entre elas a da Favela Chico Mendes, a do morro 25 e a da Serrinha. O projeto é um curso profissionalizante que dura três anos. As aulas são dadas nas próprias comunidades para 195 jovens com idade entre dez e 17 anos. Cada comunidade aprende um tipo diferente de instrumento e, em algumas, há ensino de canto. Pamela Reis tem 13 anos. Moradora do bairro Agronômica, ela toca violoncelo há mais de um ano. Apesar de achar meio cedo para decidir isto, Pamela diz que pretende seguir a carreira musical. Segundo Calibrina, é justamente esse o objetivo do projeto: “dar uma chance a esses jovens de entrar em contato com a música clássica e quem sabe, no futuro, arranjar um emprego nessa área ou passar em uma faculdade de música”. Calibrina, quando era criança, participou de um projeto parecido no Rio de Janeiro e hoje trabalha na Banda da Aeronáutica. A Prefeitura de Florianópolis apóia a idéia. É ela que adquire os instrumentos, que remunera os professores e oferece às crianças material didático, uniforme e vale-transporte. Calibrina está negociando junto à Prefeitura a extensão do projeto para mais 15 comunidades. “Talvez esse ano não dê, porque eles [da nova gestão da Prefeitura] estão começando, mas para o ano que vem eu acho que vai sair”. O uso da arte e da cultura como meio de integração social torna-se a cada dia mais eficaz. Inúmeros projetos comprovam que o que falta não são talentos, e sim oportunidades. Contudo, como podemos perceber, o acesso a esse tipo de conhecimento cultural ainda é restrito, apesar de ser um direito de todos os cidadãos. |
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